Os sistemas de fôrmas e escoramentos são elementos provisórios, mas fundamentais no processo de execução de estruturas de concreto moldadas in loco na construção civil. Eles são responsáveis por moldar a geometria final das peças estruturais (fôrmas) e sustentar o peso do concreto fresco, das armaduras e das sobrecargas de construção (escoramentos), garantindo que as peças atinjam a resistência necessária sem deformações excessivas ou colapsos.
No Brasil, as diretrizes e exigências técnicas para o projeto, dimensionamento e procedimentos executivos desses sistemas são estabelecidas pela norma oficial da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), especificamente a NBR 15696:2009 – Fôrmas e escoramentos para estruturas de concreto – Projeto, dimensionamento e procedimentos executivos.
A NBR 15696 define os requisitos mínimos para garantir a segurança, qualidade e desempenho dessas estruturas provisórias.
1. Projeto e Dimensionamento
Cargas Atuantes: Deve considerar o peso próprio das fôrmas e escoramentos, o peso do concreto fresco, das armaduras, bem como sobrecargas mínimas de construção e a ação do vento.
Pressão do Concreto Fluido: Critérios de cálculo específicos para fôrmas verticais são definidos no Anexo D da norma, levando em conta a velocidade e altura de lançamento do concreto, vibração e outros fatores.
Estados-Limites: O dimensionamento deve prever a segurança contra os estados-limites últimos (ruptura ou colapso) e de serviço (limites de deformação).
2. Procedimentos Executivos e Segurança
Montagem: Exige o uso de equipamentos industrializados conforme as instruções do fornecedor, dimensionamento adequado das bases de apoio e a obrigatoriedade do projeto.
Desforma e Reescoramento: A retirada das fôrmas e do escoramento só pode ocorrer quando o concreto tiver resistência suficiente para suportar os esforços atuantes. A NBR 14931 (Execução de estruturas de concreto) e a NBR 15696 (Anexo C) determinam critérios de tempo e resistência, sendo um prazo mínimo de 14 dias frequentemente estabelecido para remoção ou remanejamento de escoramento, dependendo do tipo de estrutura e da resistência do concreto. Para estruturas de múltiplos pavimentos, o uso de reescoramento e/ou escoras remanescentes é normatizado para garantir que o peso dos pavimentos superiores e das atividades de construção sejam distribuídos adequadamente para as lajes inferiores.
Em grandes obras, a escolha do sistema de fôrmas e escoramentos é um fator determinante para a produtividade, custo e qualidade final. Nesses projetos, a solução mais comum e eficiente é a utilização de sistemas industrializados de alto desempenho, em substituição às fôrmas de madeira moldadas in loco, que, embora comuns, podem ser mais susceptíveis a erros e demandam maior mão de obra e tempo de execução.
Tipos Comuns em Grandes Obras
Fôrmas Metálicas Modulares: Utilizadas para pilares, paredes e lajes, compostas por painéis de aço ou alumínio, que permitem rápida montagem e desmontagem, essenciais para o ciclo acelerado de grandes construções.
Escoramento Metálico: Escoras tubulares, torres de carga e sistemas modulares que suportam grandes pesos e pé-direito elevado com alta segurança e durabilidade.
Fôrmas Deslizantes ou Trepantes: Essenciais para estruturas verticais de grande altura (torres, silos), pois se movem verticalmente à medida que o concreto endurece, otimizando a concretagem contínua.
A escolha do melhor sistema deve levar em consideração fatores como a logística no local da obra, a quantidade de reuso, o peso a ser suportado e as dimensões das estruturas a serem moldadas, sempre com base nas rigorosas especificações de segurança e dimensionamento da NBR 15696. Conheça o planejamento e gestão de obras da Stecla Engenharia e descubra como reduzimos desperdícios, otimizamos os processos e promovemos ambientes de trabalho seguros.